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terça-feira, 11 de novembro de 2014

A lenda do judô: “Ceder para vencer”


       
A lenda do judô: “Ceder para vencer”

“Existem duas lendas que supostamente deram origem ao judô, uma japonesa e outra chinesa”.

A lenda japonesa falade um salgueiro e de uma cerejeira no inverno.

Os galhos da cerejeira quebravam tal qual fósforos sob o peso da neve, enquanto que o salgueiro, flexível, cedia e fazia a neve escorregar, não
dando a chance de pressioná-lo.

Este é o princípio do Judô: ‘Ceder para Vencer’.” 


Obs.: Texto original extraído do site: www.pdcinho.onegaibr.com

Análise do texto:

Esta singela lenda do judô nos adverte para o que é vivo e o que está morto.




Escrito por: Yoshio Nouchi



  

                                                                   

O Pinheiro Puxa-Puxa




              
      O Pinheiro Puxa-Puxa


“Era uma vez um jovem lenhador que vivia no Japão. Ele era muito pobre, mas de bom coração. Sempre que ia recolher lenha, jamais quebrava os galhos ainda verdes das árvores e sempre recolhia os galhos caídos no chão. Isso porque o bom lenhador sabia o que aconteceria se ele quebrasse uma árvore: a seiva, que é como o sangue da árvore, poderia gotejar e gotejar, como se a pobre árvore estivesse sangrado. O lenhador não queria machucar as árvores e, por isso, nunca quebrava nenhum de seus galhos.

Certo dia, o bom lenhador estava passando sob um pinheiro bem alto em busca de lenha, quando ouviu uma voz dizer:

-Puxa-puxa, minha seiva se esvai; de meus galhos quebrados ela cai.

O lenhador olhou ao redor e percebeu que alguém havia quebrado alguns galhos do pinheiro, e agora sua seiva gotejava. Ele habilmente emendou os galhos quebrados, dizendo:

-Nos galhos frágeis faço um remendo, para a seiva não descer correndo.

Ele cortou as tiras de suas próprias roupas para fazer curativos. Assim que terminou de remendar os galhos, muitas gotas de ouro e prata caíram da árvore- eram moedas! O lenhador ficou muito surpreso e mal pôde acreditar no que seus olhos viam. Ele olhou para cima do pinheiro e agradeceu. Depois, recolheu todas as moedas e levou-as para casa.

O bom lenhador tinha tantas moedas de ouro e prata que imaginou ter se tornado um homem muito rico.

Pinheiros são símbolos de prosperidade no Japão, e com certeza, o pinheiro agradecido retribuiria sua boa ação com este ato de generosidade.

Nesse momento, uma face apareceu na janela da casa do lenhador- era o rosto de outro lenhador. Mas esse lenhador era uma pessoa maldosa. De fato, foi ele quem quebrou os galhos do pinheiro.

Ao ver as moedas, o lenhador mau perguntou:

-Onde você conseguiu todas estas moedas? Que brilhantes e bonitas elas são!

O bom lenhador mostrou as moedas para o outro ver. Elas eram de um formato oval, como as moedas usadas antigamente no Japão;e ele tinha cinco cestas delas. O bom lenhador contou ao outro como conseguiu ganhá-las:

-Foi aquele pinheiro grande?

-Sim, foi! - confirmou o bom lenhador.

-Humm- disse o lenhador mau, e saiu correndo o mais rápido que pôde. 

Ele queria algumas das moedas para si mesmo.

Rapidamente, o mau lenhador foi até o velho pinheiro, e a árvore disse para ele:

-Puxa, puxa, minha seiva se esvai;me toque e verá como ela cai.

-Oh, isso é tudo o que eu quero- disse o mau lenhador. –Uma chuva de ouro e prata!

Ele foi até o pinheiro e quebrou o galho. O pinheiro de repente despejou muitas gotas sobre o mau lenhador. Mas eram gotas de seiva, pegajosas como um puxa-puxa.

O mau lenhador ficou coberto de seiva, braços e pernas. A seiva era tão grudenta que ele não conseguia se mover. Embora tenha gritado por ajuda, ninguém pôde ouvi-lo. Ele teve de ficar ali por três longos dias- um para cada galho que quebrava, até que a seiva se tornasse macia o bastante para ele conseguir se arrastar até a sua casa.


E, após o ocorrido, o mau lenhador nunca mais quebrou outro galho verde de árvore.” 

Obs.: Texto extraído do Livro: As Histórias Preferidas das Crianças Japonesas, Livro 01, pg. 48, Editora JBC.

Análise de texto:

 Procurando simplificar ao máximo, segue a mensagem que foi passada para a posteridade:

 O lenhador era pobre,mas de bom coração, e procurava respeitar tudo o que estivesse a sua volta, onde até um pequeno detalhe lhe era importante, e a natureza retribuía cada ato de generosidade.

 Em outros termos, mas com o mesmo efeito, vale lembrar daquele ditado, o que semear, colherá multiplicado.
   Escrito por: Yoshio Nouchi

As Lágrimas do Dragão


             

           As Lágrimas do Dragão






“Em um lugar muito longe, em um país estranho, vivia um dragão. Sua casa ficava em uma caverna funda, encravada na montanha, de onde seus olhos brilhavam como faróis. Quando algumas pessoas que viviam nas proximidades estavam reunidas à noite ao redor do fogo, alguém costumava falar:

- Que dragão terrível vive perto de nós!

E outra pessoa concordava, dizendo:

- Alguém precisa matá-lo!

Sempre que as crianças ouviam sobre o dragão ficavam apavoradas. Mas havia um garotinho que nunca se amedrontava com essas histórias. Todos os vizinhos diziam:

- Que garotinho engraçado!

Quando se aproximou o aniversário dele, sua mãe lhe perguntou:

- Quem você gostaria de convidar para o seu aniversário?

E o garotinho disse:

- Mãe, eu gostaria de chamar o dragão!

- Você está brincando?- disse sua mãe surpresa.

Ele respondeu muito decidido:

 - Não, estou falando sério: quero convidar o dragão.

Assim, no dia anterior ao seu aniversário o garotinho saiu furtivamente da casa. Ele caminhou, caminhou e caminhou até alcançar a montanha onde vivia o dragão.

- Olá, Senhor Dragão! – o garoto chamou do vale, gritando o mais alto que pôde.

- Qual é o problema? Quem está me chamando? – rugiu o dragão, saindo de sua caverna.

O garotinho disse:

- Amanhã é meu aniversário, e haverá um monte de coisas boas para comer. Por favor, venha à minha festa. Eu percorri todo esse caminho até aqui para lhe convidar.

Primeiro, o dragão não pôde acreditar no que ouvia, e continuou rugindo para o garoto. Mas o menino não estava assustado, e continuou dizendo:

- Por favor, Senhor Dragão, por favor, venha à minha festa!

Finalmente, o dragão entendeu que o garoto estava sendo sincero e realmente queria que ele, um dragão, fosse à sua festa de aniversário. Então, o dragão parou de rugir e começou a chorar.

- Que coisa boa me aconteceu! – gemeu o dragão. – Eu nunca tinha recebido um convite de ninguém antes.

As lágrimas do dragão escorreram e escorreram, até que finalmente formaram um rio. Então, ele disse:

 – Venha, suba em minhas costas, e eu lhe darei uma carona de volta para casa.

O garoto subiu bravamente nas costas do dragão feroz, que seguiu adiante nadando correnteza abaixo do rio formado por suas próprias lágrimas. Mas, à medida em que seguia, seu corpo mudou de forma e tamanho em um passe de mágica. E de repente – quem pode explicar! – o garotinho estava navegando bravamente rio abaixo em direção à sua casa como capitão de um barco-dragão a vapor!”  

OBS.: Livro de Consulta: As Histórias Preferidas das Crianças Japonesas, Livro 02, 2005, pág. 13, Editora JBC. 

Análise do texto:

Esta história, como tantas outras que foram transmitidas para vários povos e para a humanidade, vem nos alertando há algumas centenas de anos para que mantenhamos a espécie do nosso espírito puro e infantil. 
Ela adverte para o perigo de aceitar de uma forma irrefletida, dogmas e ensinamentos rígidos e pré-concebidos, diferentemente quando se procura seguir a voz interior.
Tudo o que é inflexível é como um galho seco, diferente de um galho verde que é flexível; assim é a infantilidade, que contribuiu para romper com o tradicional que imperava no seu meio.
O menino aniversariante simplesmente seguiu a sua intuição, e quando chegou àquela data especial, deixou para trás o seu corpo de matéria grosseira, e a sua alma pura, sendo reconduzido por servos do Altíssimo pelos rios da vida, de volta para casa, à terra natal. Uma história que ficou para a posteridade, que nos conta de uma forma figurada como deve ser o verdadeiro ser humano, uma criança, um eterno aprendiz neste grande lar da Criação.


           


                                                             Escrito Por: Yoshio Nouch
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Kin no ono – Machado de Ouro (Lendas)


                          

 Kin no ono – Machado de Ouro (Lendas)



“Era uma vez um casal de idosos que vivia sozinho numa cabana construída ao pé de uma montanha.

Um dia, o velhinho subiu a encosta em busca de lenha. Mas quando cortava uma árvore, o machado acabou se desprendendo do cabo e caiu no lago que se formava sob uma cachoeira. Ele desceu até a margem, preocupado em recuperar aquela importante ferramenta de trabalho.

Enquanto se debruçava sobre as águas, o velhinho viu uma grande carpa se aproximando, trazendo um machado de ouro na boca. O peixe parou, oferecendo-lhe a peça. Mas o velhinho era honesto demais para aceitar algo que não lhe pertencia.

- Mas meu machado é de ferro!- disse o velhinho.

Ao ouvir isso, a carpa mergulhou novamente, voltando com a peça de ferro, já gasta pelo tempo.

O homem agradeceu e retornou para a casa.

No dia seguinte, ao acordarem, os dois idosos levaram um susto: o machado de ferro havia se transformado em uma peça de ouro maciço. Eles ainda estavam comemorando o acontecimento quando sua vizinha veio bater à porta para pedir emprestado um pouco de lenha. Ao ver a peça de ouro, os olhos da visitante brilharam, cheios de cobiça:

-Onde vocês conseguiram isso? –perguntou.

Então, o velhinho explicou a história. A vizinha correu para casa e contou o episódio para o marido, pedindo-lhe que fosse até a montanha cortar a árvore no mesmo local onde o velho tinha ido. Ele foi e fingiu que estava cortando o tronco de uma árvore.

De repente, deixou cair o machado dentro do lago. Ao chegar à margem, viu a carpa gigante trazendo a ferramenta.

- Mas meu machado é de ouro! – disse ao peixe.

A carpa mergulhou e se aproximou dele com uma peça reluzente na boca. O homem mal conseguia se conter. Ansioso para colocar as mãos no machado de ouro, acabou se precipitando e caiu no lago, morrendo afogado.”  


Obs.: Texto original extraído do site: www.pdacinhos.onegaibr.com

Análise do texto:

Depois desta vida terrena, vários ensinamentos espirituais citam que faremos uma passagem para outro lado, ou estaremos lá no Além. A história nos alerta, que também lá, rege uma simples lei da Criação- aLei da Gravidade.

Aqueles que possuem constituição pura, e procuram se enquadrar harmoniosamente na lei da Criação, serão elevados; ao contrário, os que aspiram pelo impuro, pesado e que visam apenas o terrenal, tendem a afundar.


Escrito por: YoshioNouchi


sexta-feira, 31 de outubro de 2014

O Falso Monge (Lendas)



                              O Falso Monge (Lendas)


“Numa das várias vilas antigas do Japão, morava uma velhinha que havia perdido seu companheiro há pouco tempo, e cada dia que passava a saudade batia mais forte. Quando isso acontecia, ela rezava muito, às vezes quase o dia inteiro.

Um dia, alguém bateu à porta; quando ela atendeu, deparou-se com o suposto monge viajante, que lhe pediu:

- Senhora, estou perdido por esses cantos, será que eu poderia passar a noite aqui?

A velhinha então pensou: “Puxa, se ele é monge, pelo menos poderá rezar direito, assim como manda o budismo”.

Então ela aceitou a proposta, e logo que ele se acomodou, ela lhe serviu várias comidas.

Logo após o homem ter se esbaldado com tanta comida, a velhinha lhe fez um pedido:

-Senhor monge, o senhor poderia rezar pela alma de meu marido que faleceu recentemente?

Depois de ouvir a senhora, ele ficou um pouco perturbado. Na verdade o homem nem monge era, ele vestia trajes de monge e raspava a cabeça apenas para dormir de graça nas casas das pessoas. Assim, o homem pensou:“Como eu vou sair dessa?”. Sem saber direito como proceder. 
Ele ficou olhando para toda a casa até que viu um buraco com um pequeno ratinho. Então o homem pensou em falar frases baseando-se nos movimentos do ratinho.

Em pouco tempo estava tudo preparado, e a velhinha sentada no oratório disse em voz alta:

- Meu marido, esse monge que veio aqui hoje, vai rezar por sua alma, graças ao grande Buda!
O monge, que já estava sem jeito, resolveu não recusar a proposta e gaguejando, criou coragem olhando para o ratinho:

- Devagar, devagar ele vem chegando...

Ele falava com tal afirmação que parecia estar rezando de verdade. E como a velhinha estava muito concentrada continuou:

- Devagar e devagar ele está espiando... Devagar e devagar ele parece estar cochichando...

As frases nem de longe pareciam reza, mas a velhinha estava crente na identidade do monge, que percebeu e continuou:

- Devagar e devagar ele vai espiando... E depois cochichando... Agora ele está saindo... Agora saiu...

No dia seguinte a velhinha agradeceu o falsário, que saiu sem falar nada e logo depois de ter andado um pouco, começou a rir por ter pregado mais uma peça. A velhinha, no entanto, começou a rezar da forma que havia aprendido.

Num certo dia, um ladrão entrou na casa da velha senhora e, quando estava entrando para escolher o que roubar, ele ouviu:

- Devagar, devagar ele está chegando...

Por um momento o ladrão ficou assustado. Não havia ninguém naquele cômodo. Como seria possível? Ele então continuou a escolher os objetos:

- Devagar e devagar ele está espiando...

O ladrão, incomodado, falou consigo mesmo:

- Será que a pessoa que mora aqui consegue enxergar no escuro?

De repente, ele ouviu:

- Ele está cochichando...

O ladrão assustado começou a dar meia volta para sair... E de surpresa ouve:

-Devagar ele está saindo...

O ladrão, incomodado, falou consigo mesmo:


A velhinha, no entanto, estava tão entretida pela reza que nem percebeu o barulho na casa.”  
Obs.: Texto original extraído do site www.pdacinho.onrgaibr.com

Análise do texto:

Se mantivermos os nossos pensamentos e sentimentos puros, no final o mal vem para o bem.



Escrito por: YoshioNouchi